quarta-feira, 26 de setembro de 2007

.Dança e Teatro.

Hoje eu vou contar um pouco da minha história dentro da dança e teatro. Minha mãe vivia dizendo que eu nasci dançando, cantando, brilhando nos palcos da vida. Com apenas três anos eu comecei a fazer ballet clássico e jazz, desde então esse mundo me fascina. Algum tempo depois meu foco se expandiu, entrei para o contemporâneo e sapateado. Foram 14 anos consecutivos de muita dedicação, esforço, limites, que se transformaram posteriormente em liberdade, uma realização imensa que não pode ser comparada a nada.
No entanto, os profissionais nem sempre são muito bonzinhos, passei por momentos críticos onde o que eu mais queria era desistir, um clima muito competitivo e exigente. Já voltei chorando muitas vezes pra casa, porque meu corpo não era ideal para dança ou porque eu não conseguia executar da maneira certa determinados exercícios ou porque eu perdia uma coreografia para outra pessoa ou porque não tinha dinheiro suficiente para investir no que eu podia fazer. Na época da separação dos meus pais, fiquei afastada por um mês, mas não consegui parar, a dança era o único lugar em que eu me encontrava, no qual eu podia descarregar meus sentimentos e esquecer do mundo real, foi o suficiente para saber que não conseguiria viver sem ela.
Pelo menos em um grande espetáculo, no Teatro Cultura Artística, eu me apresentava no final do ano. Conheci tantos lugares por meio dança, ela me abriu tantas portas, me levou ao teatro, ao musical e à televisão. Acabei fazendo duas peças teatrais só porque sabia sapatear, de figurante passei à atriz principal, o canto me levou a formação de um grupo musical em que fazíamos constantes shows e algumas apresentações na televisão. Eu subi ao palco 77 vezes com a dança, 39 com o teatro e 8 vezes com a televisão.
Eu construí uma nova família, conheci pessoas que se fizeram essenciais durante a minha trajetória e crescimento. Os ensinamentos que aprendia e vivenciava com a dança foram de suma importância para a minha vida, ela é a única coisa boa que sempre esteve comigo, que eu nunca deixei de gostar. Foram tantas histórias dentro daquele ballet que não há como descrever, bons tempos que eu levo comigo aonde for.
Eu dançava no mínimo seis horas diárias por ano, com apenas um mês de férias. Meus amigos estavam viajando, curtindo e aproveitando, mas quem diz que eu não fiz o mesmo? Foi apenas uma maneira diferente de concretizar isso.
Em 2003 eu me formei como bailarina, foi o meu sonho se tornando realidade, dancei um repertório que eu sempre amei, Farry Doll, um pax de troux aonde eu era a bonequinha e dois palhaçinhos disputavam o amor dela. Treinei exaustivamente, tive que emagrecer muito, meus pais tiveram que investir dinheiro que não tinham, foi um presente em que toda a minha família cooperou e prestigiou o resultado posteriormente. No dia, estavam todos presentes, o ensaio foi horrível, eu estava muito nervosa e morrendo de medo, eu sempre esperei por aquele dia, dancei chorando de emoção, não conseguia ver ninguém na platéia, apenas a minha diretora na cabine por meio de uma luzinha, depois de brigar muito comigo, ela estava sorrindo orgulhosa de mim e pela minha apresentação. Foi muito gratificante ouvir meu nome no final do espetáculo, recebi o diploma e abracei fortemente a minha diretora agradecida pela confiança que depositou em mim, meus pais me olhavam com um sorriso de orelha a orelha, agradeci fazendo reverência até o chão e eles me abraçaram juntos, mais uma vez a dança conseguiu unir minha família, por apenas um instante, mas que para mim, durou uma eternidade.

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